Entrevista com Françoise Chetochine:
FLASHZOOM: Bom dia, Senhora Chetochine. Antes de falar sobre seu envolvimento com o ramo farmacêutico, você poderia nos apresentar o Conselho Chetochine e como você interveio em relação ao grupo Sanofi-Aventisna Argélia e em outros países?
FRANÇOISE CHETOCHINE: O Conselho Chetochine foi criado em 1967 e sua missão é oferecer aos laboratórios todos os meios possíveis para que estes possam melhorar suas vendas. Desde sua criação, o grupo trabalha com os maiores laboratórios da França e de todo o mundo.
Ao longo do tempo, o grupo se concentrou igualmente nas farmácias, nos farmacêuticos e suas necessidades em matéria de gerenciamento, merchandising, marketing, imagem e comunicação.
A empresa forma os farmacêuticos, os clientes e mais praticamente tudo envolvido com o mercado da saúde, que precisa melhorar sua organização e suas vendas.
Além do ramo farmacêutico, a empresa também vem se desenvolvendo em tudo que toca o serviço, a distribuição e as marcas.
O grupo aconselha as empresas que vão investir no estrangeiro, como grandes redes como Carrefour e Casino, mas também Manpower e empresas como Renault, Sephora, Chanel, France Telecom e SNCF.
O encontro com a Sanofi-Aventis data de muitos anos; primeiro, com a Synthélabo a partir 1985, depois com a Sanofi a partir de 1990 e, então, naturalmente, a Chetochine passou a trabalhar com a Sanofi-Aventis International na Argélia, na Venezuela, na Europa e em outras localidades.
FLASHZOOM: Você falou da força da marca dentro do universo farmacêutico e sua importância para o cliente e para o farmacêutico. De acordo com a sua experiência, esse approach é o mesmo em todas as diferentes culturas?
FRANÇOISE CHETOCHINE: Há algumas diferenças entre a Bélgica, a França, a Espanha, os Estados Unidos, etc., mas todos os farmacêuticos têm problemas similares. Em todos os casos, respondem aos mesmos imperativos de merchandising, gerenciamento e comunicação. Os consumidores da Europa, da América e da África têm a mesma idéia do quê a indústria farmacêutica pode lhes fornecer e sobre a qualidade que podem encontrar nos produtos. Conseqüentemente, não é um exagero dizer que todos os grupos farmacêuticos respondem às mesmas problemáticas internas e externas. Só mudam as leis do país.
FLASHZOOM: Como o fator preço muda as relações em cada país?
FRANÇOISE CHETOCHINE: O fator preço no mundo farmacêutico está ligado a duas idéias:
A primeira é o aparato de distribuição do país; lojas pequenas, grandes superfícies, hipermercados ou lojas especializadas.
A segunda, a ética dos farmacêuticos em si.
Na França, com alguns produtos, principalmente os produtos-padrão, evidencia-se uma guerra de preços, para competir com as grandes superfícies e as lojas especializadas. Em relação à perfumaria, o bem-estar pode se encontrar em uma guerra de preços se não há exclusividade das marcas.
Na verdade, esse trabalho não faz muito sentido e é apenas um erro de avaliação do farmacêutico; a farmácia trabalha tanto com clientes cativos quanto passageiros, e o serviço é mais importante que o preço.
FLASHZOOM: Quais são as evoluções que você pôde observar no mundo farmacêutico nos últimos 10 anos?
FRANÇOISE CHETOCHINE: Eu poderia escrever um livro para descrever essa evolução.
Na França, hoje, 20% da indústria farmacêutica representa 80% da produção de renda.
Isso ocorre porque as empresas farmacêuticas bem-sucedidas entenderam rapidamente que o cliente não é um doente e que é necessário colocar o produto nas grandes superfícies.
A evolução ocorreu por meio de um processo de 10 anos para transformar a farmácia em uma espécie de ponto de venda moderno com atendentes pessoais e re-instruir o cliente e os pontos de venda. As farmácias que funcionam hoje são aquelas que pegaram o trem da modernidade rumo aos pontos de venda móveis e domésticos ou ao merchandising.
Ontem, a farmácia servia para distribuir medicamentos; hoje, ela distribui a saúde, o bem-estar, a imagem pessoal e o anti-envelhecimento.
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